Reforma tributária sobre renda pode ser votada neste ano, diz Haddad
Correção da tabela do IR também é ponto central da agenda
Correção da tabela do IR também é ponto central da agenda
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira
(17) que o governo quer votar no segundo semestre a proposta de reforma
tributária voltada sobre a renda. Já a parte centrada nos impactos sobre o
consumo deve ser votada no primeiro semestre. Haddad deu as informações ao
participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ao lado da ministra
do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, na mesa Brasil: Um Novo
Roteiro.
“A reforma tributária que nós queremos votar no primeiro
semestre é no imposto sobre o consumo. Mas, no segundo semestre, queremos votar
uma reforma tributária sobre a renda para desonerar as camadas mais pobres do
imposto e para onerar quem não paga imposto. Vamos reequilibrar o sistema
tributário brasileiro para melhorar a distribuição de renda no Brasil”, afirmou
o ministro.
A correção da tabela do Imposto de Renda (IR) é um dos
pontos centrais na agenda econômica do novo governo e foi promessa de
campanha de Lula. A ideia é ampliar a faixa de isenção do IR para quem
ganha até R$ 5 mil. Atualmente, o limite é de R$ 1.903,98. O valor não é
atualizado desde 2015.
Durante o painel, Haddad disse que a ideia é construir um
texto consensual, usando as duas propostas de emenda à Constituição (PEC) que
tramitam no Congresso Nacional, uma na Câmara dos Deputados e outra no Senado,
e que vêm sendo debatidas pelos parlamentares. As propostas têm como base
ideias elaboradas pelo secretário especial da Reforma Tributária, Bernard
Appy.
Quanto ao consumo, Haddad já havia afirmado, em Davos, que o
governo decidiu deixar fora do pacote a recomposição das alíquotas
originais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns setores.
“Há uma discussão que já aconteceu, tem muito debate que já
se realizou, duas propostas que estão chamando a atenção dos parlamentares, e
nós entendemos que o caminho é chegar a um texto de consenso. E, se depender do
governo, nós vamos votar no primeiro semestre a reforma tributária”,
acrescentou.
O ministro também disse que, se as receitas e despesas
federais voltarem ao nível anterior à pandemia de covid-19, o governo
conseguirá zerar o déficit primário em dois anos. “Pretendemos voltar despesas
e receitas ao mesmo patamar pré-crise da pandemia, que é 18,7% (do PIB, Produto
Interno Bruto). Se conseguirmos isso em dois anos, conseguiremos zerar o
déficit.”
Haddad também falou sobre a agenda econômica do governo.
Entre os principais pontos, ele citou, além da âncora fiscal, a proposta de
democratização do acesso ao crédito, a revisão da desoneração de impostos para
alguns setores da economia, a agenda regulatória centrada na realização de
parcerias público-privadas, concessões, investimentos por parte do estado e
valorização do salário mínimo.
G-20
Haddad também comentou a agenda internacional de Lula, que
deve visitar os Estados Unidos em fevereiro, e participar da reunião do G20,
grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, a ser realizado na Índia, em
abril. De acordo com o ministro, a agenda deve incluir temas como a questão
ambiental, a consolidação da democracia, o combate à desigualdade e à fome e a
questão da paz.
“Felizmente, estaremos com um diplomata nato, que é o
presidente Lula. Uma pessoa de alta diplomacia, que consegue conversar com todo
mundo com naturalidade. Que consegue fazer pessoas antagônicas chegarem a
acordos, inclusive. Estamos num momento em que temos que aproveitar a liderança
do presidente Lula para colocar na agenda internacional, de forma mais
incisiva, pontos que são caros a ele, enquanto um personagem que está há 50
anos na vida pública e que teve muitas oportunidades de defender teses
consagradas”, enfatizou.
Segundo o ministro da Fazenda, Lula vai chamar os chefes de
Estado para um compromisso mais incisivo com a promoção da paz e o combate à
desigualdade e à fome.
Para o presidente Lula, o compromisso dos chefes de Estado
com a paz deveria ser mais claro, resoluto e mais consequente. “Se o mundo quer
paz, tem que trabalhar por ela, não apenas desejar. Segundo ponto: a volta da
desigualdade, a volta da fome, da miséria em muitos lugares do mundo e,
particularmente no Brasil. Tem formas de acabar com a fome muito rapidamente.
Não custa lembrar que com 0,5% do PIB conseguimos fazer um dos maiores de
programas de transferência de renda e acabar com a fome muito rapidamente.”
Haddad destacou ainda a preocupação do presidente com o
combate às fake news (notícias falsas) e o fato de a relação de Lula com a
questão ambiental ter mudado de patamar, ganhando mais urgência. “Penso que ele
vai levar para o G20 [essas questões] com todas as implicações econômicas que
isso acaba tendo.”
De acordo com o ministro, não se consegue ter uma agenda socioambiental sem pensar a nova economia, nem uma agenda de paz e democracia sem falar em relações internacionais. “É uma visão de mundo, e penso que ele [Lula] tem muita autoridade para defender pelo seu histórico junto à mesa de negociação nos grandes fóruns internacionais”, afirmou.
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